Viva a vida é uma festa

Muito além do adeus: a importância de ser lembrado e o poder curativo dos nossos vínculos.

PÍLULAS DE TRAVESSIA

Ana Paula Celestino CRP: 06/150617

7/7/20242 min read

Se você acha que animação é só para criança, este filme veio para provar que os desenhos podem falar sobre as questões mais profundas da existência humana. Ele é visualmente deslumbrante e emocionalmente arrebatador. Se você ainda não viu, prepare-se: você vai rir, vai cantar e, no final, vai chorar aquele choro que limpa os olhos e o coração.

A Trama

O pequeno Miguel sonha em ser músico, mas carrega o peso de uma maldição familiar que baniu a música de sua casa por gerações. Ao tentar seguir seu sonho, ele acaba atravessando a fronteira para o Mundo dos Mortos. Lá, ele descobre que a verdadeira morte não é o fim da vida biológica, mas o esquecimento. A jornada de Miguel torna-se, então, uma corrida contra o tempo para curar feridas ancestrais e garantir que seus antepassados continuem vivos através da memória.

A Travessia

A jornada de Miguel é uma busca por pertencimento. Ele atravessa mundos para entender que não precisa escolher entre ser ele mesmo e pertencer à sua família. O filme mostra que a nossa história não começa no dia em que nascemos; ela é um fio longo que nos conecta aos nossos avós, bisavós e às escolhas que eles fizeram. Entender o passado é o que nos dá permissão para construir um futuro autêntico.

O Olhar da Psi

Nesta obra, é possível analisarmos experiências que são passadas através das gerações, muitas vezes, carregamos medos, silêncios e proibições que nem sabemos de onde vêm, mas que pertencem à história da nossa família. O filme ensina que o segredo para a cura não é o banimento ou o segredo, mas a verdade e a integração. Compreendendo sua história você conseguirá se apropriar adequadamente de elementos para permitir que você possa escolher manter ou não, determinadas crenças ou comportamentos em sua vida. A personagem Mamá Inês nos mostra que a memória é o que mantém o afeto vivo. Na terapia, fazemos um processo semelhante ao de Miguel: visitamos as nossas raízes (mesmo as mais dolorosas) para dar um novo significado a elas. A saúde mental aqui é sobre reconciliação: honrar quem veio antes, entender suas dores, mas ter a coragem de tocar a sua própria música.

Para Levar na Mochila

"Lembre de mim, hoje eu tenho que partir. Lembre de mim, se um violão você ouvir."

A reflexão para hoje é: Quais são as tradições e histórias que você carrega na sua bagagem? E, mais importante, qual é a melodia que só você pode tocar? A terapia nos ajuda a organizar esse altar interno, separando o que é peso do que é legado, para que possamos caminhar com a força dos nossos antepassados, mas com a leveza dos nossos próprios passos.