Diagnóstico do dia: É crise existencial ou só falta de Vitamina D? (E outras verdades sobre o cansaço feminino)
Spoiler: às vezes, um exame de sangue resolve metade dos seus problemas.
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Ana Paula Celestino
12/6/20263 min read


Se você é mulher e vive no século XXI, provavelmente já passou pela seguinte cena: são três da manhã, você está olhando para o teto, o sono sumiu e a sua mente decidiu que é uma excelente hora para questionar absolutamente todas as escolhas que você fez desde 2015.
Você começa a achar que está no meio de uma crise de identidade profunda. Pensa que perdeu o foco, que a sua autodisciplina evaporou, e que aquela calça jeans que parou de fechar é a prova definitiva de que você falhou no teste da vida adulta. Diante desse cenário catastrófico, você conclui: Preciso urgentemente fazer terapia, mudar de carreira ou me mudar para um lugar isolado em Minas Gerais (o que não é exatamente uma má ideia kk).
Aí, você resolve fazer um check-up de rotina. O resultado do exame de sangue chega e... surpresa! Sua alma está ótima. O que está completamente falido é o seu estoque de vitaminas.
Pois é. Às vezes, o que a gente acha que é um colapso espiritual é só o painel do nosso corpo piscando em luz vermelha, avisando que o combustível acabou.
Nós temos uma mania quase poética de achar que a nossa mente opera em um plano místico, totalmente separada da biologia. Mas a verdade nua e crua é que a nossa saúde mental e o nosso humor dependem diretamente do equilíbrio do nosso corpo.
Quando taxas essenciais como a Vitamina D e as vitaminas do Complexo B (B1, B6 e B12) resolvem tirar férias coletivas, o estrago no nosso cotidiano é real. Tem outras igualmente importantes, tá?!
Sem esse combustível básico, o corpo simplesmente entra em modo de economia de energia. É aí que a mágica (ao contrário) acontece:
O sono desregula (você passa o dia arrastando os pés e a noite sem conseguir desligar).
A memória falha (aquela clássica cena de entrar na cozinha e esquecer o que foi buscar).
O humor vira uma montanha-russa difícil de controlar.
Até o metabolismo parece sentar na calçada e chorar, travando processos simples como a perda de peso.
Tentar manter a inteligência emocional, o bom humor e a produtividade com esse quarteto no chão é como tentar rodar o aplicativo mais pesado e moderno de última geração em um computador de 1995. Vai travar.
O grande perigo disso tudo é que nós, mulheres, fomos ensinadas a dar conta de tudo o tempo todo. Quando o cansaço bate, a nossa primeira reação quase nunca é: "Nossa, meu corpo precisa de uma investigação e de nutrientes". A nossa reação automática é nos culpar.
A gente se chama de preguiçosa, de sem foco, de procrastinadora. Começamos a nos cobrar uma resiliência psicológica sobre-humana, sem perceber que estamos exigindo que um carro ande sem óleo.
A saúde mental não acontece no vácuo. Claro que a psicoterapia, o autoconhecimento e a organização emocional são fundamentais. Mas o cuidado precisa ser integral. Não dá para tratar com pensamento positivo ou cobrança excessiva uma deficiência real que está sabotando o seu sistema nervoso.
Se você tem se sentido constantemente exausta, irritada, com a sensação de que está correndo atrás do próprio rabo e questionando a sua própria capacidade, faça um favor a si mesma: antes de decretar que você precisa mudar de vida, mude a sua rotina de exames.
Olhar para si mesma com carinho também significa entender que você é um ser humano feito de carne, osso, hormônios e nutrientes, e não uma máquina de alta performance.
Às vezes, acolher a si mesma e cuidar da sua saúde mental começa de um jeito bem pragmático: agendando uma consulta, investigando o que está acontecendo por dentro e aceitando que, por mais forte que você seja, ninguém consegue carregar o mundo nas costas com a energia zerada.
Se cuida. Por dentro e por fora!
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