Da série: Não sou obrigada a nada (inclusive a ter razão)

A beleza de estar no processo, sem fórmulas mágicas.

BLOG

Ana Paula Celestino

2 min read

a pile of paper with writing on it
a pile of paper with writing on it

Todo dia ela faz tudo sempre igual, mas ela só faz o que ama. E, às vezes, o que ela ama é simplesmente sentar e escrever. Sem a pretensão de mudar o mundo, sem a urgência de entregar uma fórmula secreta para o sucesso e, acima de tudo, sem o peso de ter que ditar regras para a vida alheia.

Dias atrás, abri o Substack, passei pelos textos em destaque e um pensamento involuntário me lançou a pérola...talvez eu não seja boa o bastante.

Quem nunca?

A questão é, por que raios achamos que precisamos ser incrivelmente interessantes e referências absolutas em absolutamente tudo o que fazemos?

Entramos numa dinâmica exaustiva onde até os nossos hobbies e nossos refúgios precisam ter utilidade performática. A escrita, que deveria ser diversão, desabafo e ponte, passa a ser cobrada como se fosse um manual de instruções para a existência do outro.

A verdade é que o critério que faz alguém se identificar com você é tão profundamente subjetivo que, mesmo que tentássemos decifrar todos os algoritmos do mundo, ainda seria impossível nos conectarmos com todos. Pessoas se conectam com pessoas. Ponto.

E essa conexão nasce por motivos que raramente são óbvios ou calculados. Muitas vezes, o tom, a vulnerabilidade ou o jeito de dizer algo toca mais do que o conteúdo em si.

Por isso, falar como se estivéssemos no topo de uma montanha, com a vida perfeitamente resolvida, ensinando os "meros mortais" a viverem, me parece, no mínimo, um pouco arrogante. Afinal, está todo mundo tentando descobrir como se faz enquanto anda.

Minha ideia ao colocar pensamentos aqui, ou em qualquer outro lugar, não é dar ordens. É compartilhar experiências para que quem lê possa se apropriar daquilo que for útil para o seu momento presente.

Conselhos bons (e não tão bons também) ouvimos a vida inteira, de todo tipo de gente. Mas a verdade é que só percebemos que um conselho era realmente bom quando desenvolvemos a maturidade, ou quando a vida nos coloca na curva exata, que nos permite finalmente enxergar o que ele significava. Não adianta empurrar a sabedoria goela abaixo; ela só entra quando há espaço interno para ela pousar.

Até lá, corre-se o risco de cortar a cabeça do mensageiro (vou explicar melhor sobre em outro texto :)) simplesmente porque o ouvinte ainda não tinha a chave para decodificar aquela mensagem. E tudo bem. Cada um no seu tempo.

Escrever, para mim, segue sendo um respiro no meio de uma sociedade apressada. Um convite para a troca genuína, sem pedestais, sem obrigações e sem a pretensão de ter a resposta para nada. Apenas o encontro.