Brilho eterno de uma mente sem lembrança
Tocando na ferida mais comum de qualquer ser humano: o desejo de apagar o que dói.
PÍLULAS DE TRAVESSIA
Ana Paula Celestino CRP: O6/150517
2/7/20242 min read


Esse é daqueles filmes que no começo você não está entendendo nada e no fim parece que está no começo rs, tem um pouco de verdade nessa frase. É um filme que requer um pouco de atenção, pois ele não tem uma narrativa linear, então é fácil se perder. Mas, não difere muito da nossa cabeça, não é? Quantas vezes em um dia é possível repassar uma única conversa que você gostaria que tivesse sido diferente? Em suma, ele é incrível e, não importa quantas vezes a gente veja, o impacto é sempre profundo, a gente sente não apenas pelos personagens, mas por cada lembrança nossa que também tentamos, um dia, esquecer.
A Trama
Como lidar com o vazio de um amor que acabou? Joel e Clementine decidem fazer o que muitos de nós já desejamos: apagar um ao outro da memória através de um procedimento técnico. Mas, conforme as lembranças vão sumindo, Joel percebe que, ao deletar a dor do fim, ele está perdendo também a doçura do início e a beleza de quem ele se tornou através daquele vínculo.
A Travessia
A jornada aqui acontece dentro da mente. É uma corrida desesperada para salvar o que resta de um afeto. O filme nos mostra que a nossa identidade é feita de retalhos: momentos bons, brigas bobas, cheiros e até decepções. Tentar arrancar uma parte da nossa história é como tentar tirar o alicerce de uma casa; tudo o que somos corre o risco de desabar.
O Olhar da Psi
Nesse filme da para explor vários temas, além do amor romântico, mas me cativa a beleza trágica da aceitação. A minha experiência enquanto terapeuta me mostra que evitar a dor (o que chamamos de esquiva experiencial) muitas vezes causa mais sofrimento do que o próprio fato em si. O filme é uma metáfora brilhante sobre o luto: não se esquece uma pessoa ou uma fase da vida apertando um botão; integra-se essa experiência na nossa biografia. Joel e Clementine ensinam que o amadurecimento não vem da ausência de cicatrizes, mas da coragem de olhar para elas e dizer: "Ok, isso também faz parte de mim". A saúde mental aqui não é sobre ter uma mente limpa, mas sobre ter uma mente cheia de histórias, aprendizados e a humanidade de quem se permitiu sentir.
Para Levar na Mochila
"Você pode apagar alguém da sua mente. Tirar essa pessoa do seu coração é uma outra história."
A reflexão para hoje é: Quais partes da sua história você tem tentado apagar por serem difíceis demais? A terapia nos ajuda a entender que não precisamos deletar o passado para construir um futuro. O maior presente que você pode se dar é a paciência de acolher as suas memórias, transformando a dor em repertório e os erros em sabedoria para o próximo recomeço.
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